• Rafaella Galardo

Preço das casas sobe em flecha em Portugal e atinge recorde de 2019

É no Algarve onde o custo da habitação está mais alto, valendo 1.875 euros/m2. O preço mediano a nível nacional subiu 6,8%.

Nada parou a subida do preço das casas em Portugal, nem mesmo a pandemia da Covid-19. Houve um ligeiro abrandamento, é certo, mas o preço das casas continuou a sua trajetória de crescimento. Olhando para os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) salta à vista que o preço mediano das casas em território nacional aumentou 6,8% num ano, chegando aos 1.268 euros por metro quadrado (euros/m2) no segundo trimestre de 2021. E este é mesmo o maior valor registado desde 2019.


Sobre a evolução dos preços das casas em Portugal, o INE não tem dúvidas: “O aumento da taxa de variação homóloga entre o primeiro trimestre de 2021 e o segundo trimestre de 2021, de 3,1% para 6,8%, evidencia uma aceleração dos preços da habitação, interrompendo a desaceleração verificada no último trimestre”, lê-se no documento publicado esta quinta-feira, dia 28 de outubro de 2021.


Foto de SHVETS production en Pexels


Onde é que os preços das casas mais subiram? E menos?


Das 25 sub-regiões do país, o preço mediano a pagar pelas casas subiu em 12. E, destes, houve nove que cresceram mais do que a nível nacional. A Região Autónoma da Madeira e a Área Metropolitana do Porto, em conjunto com o Alentejo Litoral apresentaram as taxas de variação homóloga mais elevadas entre as sub-regiões do país, fixando-se as três nos +11,5%.


Também a Área Metropolitana de Lisboa (+9,7%) apresentou uma variação homóloga superior à verificada no país. Já no Algarve a variação dos preços (+3,8%) situou-se abaixo da referência nacional e representa uma descida de 0,5 pontos percentuais face à variação registada no primeiro trimestre de 2021, destaca o relatório.


As maiores quedas nos preços das casas foram registadas na Beira Baixa (-16,2%), no Alto Alentejo (-13%) e no Alentejo Central (-10,9%).


Foto de Kindel Media en Pexels


Quais as sub-regiões mais caras e mais baratas?


Contam-se apenas quatro sub-regiões onde o preço mediano das casas é superior à referência nacional. Hoje, a sub-região portuguesa onde é mais caro comprar casa é mesmo o Algarve. Apesar do aumento ter sido inferior ao verificado a nível nacional, os preços das casas atingiram, em termos medianos, os 1.875 euros/m2.


Em segundo lugar está a Área Metropolitana de Lisboa, onde os preços das casas subiram para 1.757 euros/m2. E em terceiro está a Região Autónoma da Madeira com as casas a custar 1.460 euros por cada metro quadrado. Nestas três sub-regiões, os preços das casas observados no segundo trimestre de 2021 atingiram os maiores valores desde 2019.


Já na Área Metropolitana do Porto - que aparece na quarta posição -, o preço mediano das casas mantive-se nos 1.333 euros/m2, o mesmo valor registado nos primeiros três meses do ano.


À exeção destas quatro, todas as outras sub-regiões registaram preços das casas inferiores à mediana nacional. E onde se encontram casas mais baratas é mesmo no Alto Alentejo, onde se regista o valor por metro quadro mais baixo do país – 436 euros/m2. Também no fundo da tabela está a Beira Baixa (562 euros/m2) e o Médio Tejo (597 euros/m2).


Foto de Karolina Grabowska en Pexels


Preços subiram nos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes


Olhando para os dados dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, verifica-se que todos, sem exceção, tiveram uma variação do preço mediano das casas positivo.


No caso da Área Metropolitana de Lisboa, as evoluções mais expressivas foram detetadas em Vila Franca de Xira (14,2%), Seixal (11,3%), Setúbal (11,1%), Almada (10,6%) e Loures (10,2%). Dos 11 municípios com mais de 100 mil habitantes da Área Metropolitana de Lisboa, o concelho de Lisboa foi o que registou a menor subida de todas – de apenas 1,4%. Ainda assim, o relatório destaca a recuperação, já que “Lisboa tinha sido o único município com mais de 100 mil habitantes a registar uma taxa de variação homóloga negativa no primeiro trimestre de 2021 (-7,9%)”. Na Área Metropolitana do Porto, os preços das casas subiram mais, em termos homólogos, nos municípios da Maia (16,8%), Matosinhos (15,4%) e Gondomar (13,1%).


No primeiro semestre de 2021, entre os 24 concelhos com mais de 100 mil habitantes, “todos os municípios das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com exceção de Gondomar e Santa Maria da Feira, registaram preços medianos de habitação superiores ao nacional (1.268 euros/m2 ), destacando-se Lisboa (3.497 euros/m2 ), Cascais (3.040 euros/m2 ), Oeiras (2.519 euros/m2 ), Porto (2.189 euros/m2 ) e Odivelas (2.137 euros/m2 )”, refere o documento.

Dos municípios fora das áreas metropolitanas, apenas Funchal (1.615 euros/m2 ) e Coimbra (1.404 euros/m2 ) apresentaram preços medianos superiores ao nacional, mas ambos registaram crescimentos homólogos inferiores ao do país (+2,2% e +4,6%, respetivamente).


Fonte: Idealista








2 visualizações0 comentário