• Rafaella Galardo

Nova profissão – o comunicador / animador imobiliário

A pandemia Covid-19 funcionou como um acelerador de processos na aplicação de tecnologias e mudança de comportamentos sociais e organizacionais. Em 7 meses operou-se uma mudança gigantesca para a qual ninguém estava preparado.

Muito se tem escrito, identificado, diagnosticado, mas o mercado, as indústrias, apanhadas neste tornado de acontecimentos, de desafios de sobrevivência, têm encontrado soluções de forma reativa e não estratégica ou refletiva e ponderada.

O imobiliário tem sido uma dessas indústrias, especificamente na mediação, a pressão tem sido enorme. Apesar de muitos dos principais players manterem um discurso otimista anunciando pequenas quebras, as estatísticas de número de transações e encerramento de agências não mentem, com uma quebra superior a 20% em volume de negócios e só no mês de Setembro encerraram 373 agências imobiliárias.

O pânico e a pressão levam a serem dadas formações à pressa, (em desespero as pessoas pagam para terem uma luz ao fundo do túnel) quererem transformar consultores imobiliários em especialistas instantâneos de marketing digital. O resultado é o que, com espanto presenciamos, todos a fazerem landing pages e a oferecerem avaliações gratuitas (como se alguma vez tivessem sido pagas!), ou manuais como vender a casa. Se a ação de formação era de 20 consultores, sabemos que teremos 20 landing pages iguais a seguir, o efeito é rigorosamente o oposto do pretendido, com os utilizadores e potenciais clientes a bloquearem os consultores para sempre.

Vamos seguir esta insanidade formativa e falta de pensamento estratégico, ou encontrar soluções adequadas e que façam sentido, sustentáveis e que deem resultados?

Solução Alternativa

Neste momento ninguém sabe por quanto tempo a situação da pandemia irá persistir, não há previsões, mas uma coisa sabemos: as atenções viraram-se para a internet e redes sociais, a única forma de chegar aos clientes durante o confinamento, através destas pode-se angariar, mostrar casas, negociar e até concluir negócios.

Tem ganho protagonismo nas redes sociais uma nova figura na mediação, vou chamar-lhe o Comunicador ou Animador Imobiliário.

Esta é uma abordagem completamente diferente no mercado, estes animadores/comunicadores são catalisadores de atenção e de fidelização. Carismáticos, com grande capacidade de comunicação e interação com as audiências, transformam-nas em seguidores fiéis e estão a ganhar uma importância cada vez maior uma vez que arrastam dezenas / centenas de milhares de utilizadores para as redes sociais das suas empresas, angariando e vendendo os imóveis. Assistimos a isso no TikTok, Youtube, Instagram, Facebook.

Mesmo nos sistemas de Realidade Virtual mais utilizados como o Matterport e EyeSpy360, atualmente totalmente indispensáveis, na sua opção de chat/visita, um destes especialistas pode ter um papel de enorme eficácia na interação com o possível cliente, apresentando o imóvel e gerando a tão desejada empatia, fidelização e venda.

Um dos exemplos mais famosos vem do Brasil, chama-se Ricardo Martins, sócio e Diretor de Mkt da My Broker Imóveis.

Considerado um fenômeno do TikTok, é um dos agentes imobiliários mais seguido nesta rede e no Instagram. Com linguagem autêntica, faz vídeos dos imóveis do seu portfólio, tem mais de 40 milhões de visualizações mensais e quase 600 mil seguidores no TikTok, mais de 100 mil seguidores no Instagram e mais de 140 mil inscritos no Youtube.

Os Brokers irão começar a pensar se vale a pena investir em estruturas físicas e grandes equipas com toda a logística e despesas associadas, ou nestes profissionais de comunicação. Num cenário de confinamento social, com uma dependência cada vez maior da internet e das redes sociais, prometem ser uma solução e alternativa de enorme eficácia.

Com uma estratégia de marketing digital, assente em bons conteúdos digitais, um destes Comunicadores/Animadores Imobiliário, bem apoiado em termos de produção visual e edição alcançará resultados seguramente surpreendentes e, não numa perspetiva de solução imediata e provisória, mas sim de enorme relevância futura em termos de sustentabilidade, crescimento e fidelização de audiências.

“As pessoas não querem mais ruido nas suas redes sociais. Elas querem entretenimento, conversas edificantes e produtos que durem. Mais importante ainda, elas querem ser levadas a sério.” Cendrine Marrouat

Fonte: Out of the Box/Goncalo Nascimento, escrito por João Abelha

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